pai, posso pintar as unhas de azul?
Honestamente ele hesitou, mas
na esquerda verdes, na direita azuis. Feito, mar saiu de casa.
Na volta, deixou os cadernos sobre a mesa.
"Senhor pai, seu filho apareceu com as unhas coloridas. Não podemos fazer tudo sozinhos. Pedimos que lave as mãos do menino antes da próxima aula."
Ele honestamente hesitou, mas lembrou ser muito pouco para sumir com as cores do mar.
De repente, um telegrama chegou. Quem manda telegrama em dois mil e dezesseis?
"SRPAI seufilho passou pelo portão com as unhas pintadas pedimos pelo bem tomar providências. o condomínio."
Hesitou ele honestamente, mas lembrou depois ser muito frágil para secar as cores de mar.
Ao andar, certa vez, viu um avião com uma faixa no céu.
"Senhor pai, seu filho cresce e navega os outros. Favor limpar suas mãos."
Era uma faixa grande e tinha reticências (ou eram pássaros).
Ele hesitou honestamente, mas lembrou não há como governar o mar.
Mês passado, um presidente destes que ocupam o lugar de presidente às vezes mandou-lhe uma carta. O início era em latim, não me lembro agora o que.
"Senhor pai, vivemos em democracia. A maioria pede pela neutralidade das unhas de seu filho. O pacto é necessário. Assim se vive em todos. No aguardo de providências menos drásticas, senhor o presidente."
Ele não tinha mais como hesitar.
Pensou em fazer vários trocadilhos com temer, mas só rio mesmo.
Dia desses pensaram matar cinquenta mares. Mas não se mata-mar.
Pintou suas unhas de vermelho e saiu de mãos dadas com o filho.
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